| Música sob um Contexto Sócio-Cultural |
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Por Paulo Roberto Fernandes Júnior
Qualquer conjunto simbólico produzido e expressado por um grupo é um reflexo do contexto histórico-cultural por ele vivido. Portanto, a música como uma expressão cultural acaba refletindo diversos elementos do contexto em que foi desenvolvida, tornando-se um indicativo das culturas que a produziram. Para John Blacking (2000, p.10) a música seria um produto do comportamento de um grupo humano cuja função é de realçar qualitativamente, tanto a experiência individual, quanto as relações humanas. Analisar a música sob uma ótica sócio-antropológica significa pensá-la como um conjunto de expressões simbólicas cujos significados são compartilhados dentro do contexto cultural em que foi criado. Sendo assim, o estudo da produção musical de um grupo pela antropologia é um excelente meio de identificar e compreender uma grande variedade de elementos sócio-culturais desse grupo, como valores, posições políticas, relações de poder, interação, comportamento e transformações sociais. Atualmente, com o crescimento da Antropologia de grupos urbanos, direcionamos nosso olhar também para os "subgrupos" das sociedades urbanas, o que a mídia convenciona chamar de "tribos". Percebe-se que esses "subgrupos" urbanos geralmente reúnem-se por afinidades ou conjunto de interesses em comum, como a música e seus simbolismos, funcionando como formadores de uma identidade social. A música, muitas vezes é o elemento que justifica não só a permanência de um indivíduo em um determinado subgrupo social urbano, como é o caso dos punks, headbangers, malária, emos, góticos, mas a própria existência do grupo: são grupos baseados no estilo musical e seus elementos simbólicos culturais, quanto as relações humanas. |